Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento ou financeira. Os indicadores citados — Selic, CDI — aparecem via 14,25% e refletem o dado oficial do Banco Central no dia em que você lê. Consulte um profissional habilitado antes de decisões patrimoniais.
Tesouro e CDB rendem quase igual — o que decide é o que ninguém compara
Toda vez que a Selic muda, a mesma pergunta volta: Tesouro Direto ou CDB, qual rende mais? A resposta honesta frustra quem procura um vencedor: no mesmo prazo e no mesmo indexador, os dois rendem quase a mesma coisa depois do imposto. O CDB pós-fixado que paga 100% do CDI e o Tesouro Selic andam praticamente colados. A diferença real — a que decide onde o seu dinheiro deveria estar — não está na rentabilidade de vitrine. Está na garantia, na liquidez, no custo de carregar e no risco de quem emitiu o papel. É aí que este comparativo mira.
Com a Selic hoje em 14,25% a.a. e o CDI em 14,15% a.a., comparo as três famílias do Tesouro — Selic, IPCA+ e Prefixado — com os formatos equivalentes de CDB (pós-fixado, prefixado e atrelado à inflação). O objetivo não é te dar um ticker para comprar; é te dar o método para olhar qualquer par Tesouro×CDB e saber qual cabe no seu prazo.
Resposta direta
| Pergunta | Resposta curta |
|---|---|
| Qual rende mais no mesmo prazo? | Empate técnico quando o CDB paga ~100% do CDI. Acima disso (110%–120%), o CDB de banco médio ganha — pagando com mais risco de emissor. |
| Qual é mais seguro? | Tesouro (risco soberano, o menor do país). CDB tem garantia do FGC até R$ 250 mil — proteção real, mas com teto. |
| Qual tem melhor liquidez? | Tesouro Selic (recompra diária garantida pelo Tesouro). CDB só tem liquidez diária se for contratado com essa cláusula. |
| Onde há custo escondido? | Tesouro tem custódia B3 de 0,20%/ano (isenta até R$ 10 mil no Tesouro Selic). CDB não tem custódia, mas pode ter spread embutido na taxa. |
| Por onde começar? | Reserva de emergência → Tesouro Selic ou CDB 100% CDI com liquidez diária. Prazo longo → comparar líquido após IR. |
A regra que resume tudo: Tesouro e CDB não competem por rentabilidade — competem por encaixe. Você escolhe o Tesouro quando quer segurança soberana e liquidez sem cláusula; escolhe o CDB quando o banco paga um prêmio (acima de 100% do CDI) que compensa usar a garantia do FGC. Rentabilidade de vitrine é a última variável, não a primeira.
Os cinco critérios que realmente separam os dois
A escolha envolve cinco variáveis — e só uma delas é a rentabilidade. As outras quatro são o que a manchete ignora e o seu bolso sente.
| Critério | Tesouro Direto | CDB |
|---|---|---|
| Emissor / risco | Tesouro Nacional — risco soberano, o menor da economia brasileira | Banco emissor — risco de crédito privado, coberto pelo FGC até o teto |
| Garantia | Não tem FGC; a garantia é o próprio governo federal | FGC: R$ 250 mil por CPF por instituição (teto de R$ 1 milhão em 4 anos) |
| Liquidez | Recompra diária garantida pelo Tesouro em todos os títulos | Só se contratado com liquidez diária; muitos travam até o vencimento |
| Custo | Custódia B3 de 0,20%/ano (isenta no Tesouro Selic até R$ 10 mil) | Sem custódia; o custo pode estar no spread da taxa oferecida |
| Tributação | IR regressivo (22,5% a 15%) + IOF se resgatar em menos de 30 dias | Idêntica: IR regressivo (22,5% a 15%) + IOF nos primeiros 30 dias |
O erro de leitura mais comum: tratar o CDB como “mais arriscado” e o Tesouro como “sem risco”. Não é bem isso. Abaixo de R$ 250 mil por banco, o CDB tem uma proteção que o Tesouro não tem — o FGC paga se o banco quebrar. O risco do CDB aparece de verdade acima do teto, ou quando você concentra tudo num emissor só. Diversificar entre instituições é o que transforma a garantia em blindagem real.
As três famílias, lado a lado
Tanto o Tesouro quanto os CDBs vêm em três “sabores” de rentabilidade. O truque é comparar sempre o mesmo sabor: pós com pós, pré com pré, inflação com inflação. Comparar um Tesouro IPCA+ com um CDB pós é comparar coisas diferentes.
| Sabor | Tesouro | CDB equivalente | Quando faz sentido |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado | Tesouro Selic (segue a Selic) | CDB % do CDI (ex.: 100%–120%) | Reserva e curto prazo; acompanha o juro sem sustos de preço |
| Prefixado | Tesouro Prefixado (taxa travada) | CDB prefixado (taxa travada) | Quando você acredita que o juro vai cair e quer travar a taxa de hoje |
| Inflação | Tesouro IPCA+ (IPCA + taxa real) | CDB IPCA+ (IPCA + taxa real) | Objetivo de longo prazo; protege o poder de compra do dinheiro |
Método — como comparar o líquido de verdade: um CDB pós que paga X% do CDI rende, na prática, X% da Selic (CDI e Selic andam quase colados). Um CDB de 100% do CDI ≈ Tesouro Selic; um de 115% do CDI rende ~15% a mais de juro bruto. Só que ambos pagam o mesmo IR — então a vantagem do CDB de banco médio é real, mas vem embrulhada em mais risco de emissor. Nunca compare a taxa de vitrine: compare o líquido após IR, no mesmo prazo.
O imposto é igual nos dois — e é regressivo
Aqui não há vantagem de um sobre o outro: Tesouro e CDB pagam exatamente a mesma tabela de IR, que cai conforme você segura o papel por mais tempo. Isso é lei, não muda com a Selic — por isso vale memorizar. Quem resgata cedo entrega quase um quarto do rendimento ao Leão; quem segura mais de dois anos paga a alíquota mínima.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20,0% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15,0% |
A conta que muda tudo: um rendimento bruto de R$ 1.000 vira R$ 775 se você resgata em 3 meses, mas R$ 850 se segura por mais de 2 anos. São 7,5 pontos percentuais de diferença — só por causa da data do resgate, no mesmo produto. Antes de comparar Tesouro com CDB, compare o seu prazo real de necessidade do dinheiro. É ele que define a alíquota. Simule no simulador do Tesouro ou na calculadora de CDI.
FGC: o que realmente protege — e o que mudou (e o que NÃO mudou) em 2026
O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é o que dá lastro ao CDB. Ele garante R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, com um teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos por investidor. Esses limites não são novidade de 2026 — o teto de R$ 1 milhão vale desde 2017. É o mesmo de sempre.
| O que o FGC cobre | Detalhe |
|---|---|
| Limite por instituição | R$ 250 mil por CPF/CNPJ, por banco |
| Teto global por investidor | R$ 1 milhão a cada 4 anos (regra vigente desde 2017) |
| Produtos cobertos | CDB, LCI, LCA, poupança, letras de câmbio — não cobre Tesouro (que nem precisa) |
| O que NÃO cobre | Fundos, ações, debêntures e o valor que passa do teto |
Cuidado com a manchete de 2026: a mudança do FGC que entrou em vigor em 01/06/2026 (aprovada pelo CMN em 2025) não mexeu na sua cobertura. Ela é uma regra bancária de captação: se os recursos cobertos pelo FGC de um banco passarem de 10 vezes o patrimônio líquido dele, o excedente tem de ir para títulos públicos. Na prática, isso tende a tornar mais raros os CDBs “generosos demais” (aqueles 130% do CDI de banco pequeno) — o teto provável fica mais perto de 115%–120%. O seu R$ 250 mil de garantia continua igual. O que muda é a oferta de prêmios altos, não a sua proteção.
Marcação a mercado: o susto que só atinge dois dos seis
Um detalhe que separa os produtos na prática: a marcação a mercado. É a reprecificação diária do título conforme o juro corrente. Ela afeta o Tesouro IPCA+ e o Prefixado (e os CDBs pré e IPCA+) se você vender antes do vencimento — pode vender com ágio se o juro caiu, ou com deságio se subiu. O Tesouro Selic e os CDBs pós praticamente não sofrem esse efeito: acompanham o juro sem oscilar de preço.
Onde isso te pega: quem compra Tesouro IPCA+ “para a aposentadoria” e vende no primeiro susto do mercado descobre a marcação a mercado do jeito ruim. A regra de Housel vale aqui: o maior risco de um título longo não é o emissor — é o seu próprio comportamento diante da oscilação de preço. Título de inflação é para levar ao vencimento; se você pode precisar do dinheiro antes, o pós-fixado é o encaixe honesto.
Veredito: não existe vencedor, existe encaixe
Depois de comparar garantia, liquidez, custo, tributação e risco, a conclusão é desconfortável para quem queria um campeão: Tesouro e CDB não se derrotam — se completam. Para a reserva de emergência e o dinheiro que pode ser chamado a qualquer hora, Tesouro Selic ou CDB 100% do CDI com liquidez diária resolvem, com leve preferência para o Tesouro pela liquidez garantida. Para prazos longos com prêmio, um CDB de banco sólido acima de 110% do CDI, dentro do teto do FGC e diversificado entre emissores, entrega mais líquido. O Tesouro IPCA+ fica para objetivos de décadas, levado ao vencimento.
O checklist de 30 segundos antes de decidir: (1) Quando vou precisar do dinheiro? — define a alíquota de IR e se preciso de liquidez diária. (2) O valor cabe no teto do FGC por banco? — se não, Tesouro ou diversificação. (3) O CDB paga prêmio de verdade (acima de 100% do CDI)? — se não, o Tesouro é mais simples pelo mesmo resultado. Respondidas essas três, a escolha se faz sozinha.
Para aprofundar a comparação com os isentos de IR, veja o comparativo completo Tesouro vs CDB vs LCI vs LCA e o detalhamento de CDB, LCI e LCA. Se a dúvida é a poupança, o confronto direto está em Poupança ainda vale a pena?. E para ver quanto cada produto entrega na prática, quanto rende R$ 1.000 por mês.
Perguntas frequentes
Tesouro Direto ou CDB: qual rende mais em 2026?
No mesmo prazo e indexador, rendem quase igual. Um CDB de 100% do CDI empata com o Tesouro Selic. O CDB só supera de forma relevante quando paga prêmio (110%–120% do CDI) — pagando com mais risco de emissor, coberto pelo FGC até R$ 250 mil.
CDB é mais arriscado que Tesouro?
Abaixo do teto do FGC (R$ 250 mil por banco), o CDB tem uma garantia que o Tesouro não tem. O risco aparece acima do teto ou quando você concentra tudo num emissor. O Tesouro carrega risco soberano, o menor da economia. Para valores grandes, diversificar CDBs entre bancos é a prática usual.
O que mudou no FGC em 2026?
A cobertura do investidor não mudou: continua R$ 250 mil por instituição e R$ 1 milhão a cada quatro anos. A mudança de 01/06/2026 é uma regra bancária de captação (recursos cobertos acima de 10× o patrimônio do banco vão para títulos públicos), que tende a reduzir a oferta de CDBs muito generosos — não a sua garantia.
O que é marcação a mercado?
É a reprecificação diária do título pelo juro corrente. Afeta Tesouro IPCA+ e Prefixado (e CDBs pré/IPCA+) se vendidos antes do vencimento. Tesouro Selic e CDBs pós praticamente não sofrem esse efeito.
Tesouro Direto tem taxa?
Sim: custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo, com isenção para Tesouro Selic até R$ 10 mil. O CDB não tem custódia, mas o custo pode estar embutido no spread da taxa oferecida.
Vale aplicar em CDB acima do teto do FGC?
Tecnicamente é possível, mas o excedente fica sem cobertura. Para valores grandes, diversificar entre instituições e produtos — ou migrar o excedente para o Tesouro — é a prática usual.
Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. As condições dos produtos mudam; verifique taxas e prazos atualizados na sua corretora e, em casos concretos, busque orientação de um profissional habilitado.
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