Atualizado em junho/2026 · Selic em 14,25% a.a. · CDI em ~14,40% a.a. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento ou financeira. Indicadores e produtos citados refletem a data de publicação. Consulte um profissional habilitado antes de decisões patrimoniais.
Com a Selic em 14,25% ao ano em junho de 2026 após o ciclo de cortes iniciado no fim de 2025, a comparação entre Tesouro Direto e CDB voltou ao centro das decisões de quem aplica em renda fixa. Os dois caminhos têm rentabilidade semelhante em vários cenários, mas se diferenciam em garantia, liquidez, tributação e risco do emissor. Este texto compara as três principais famílias do Tesouro — Selic, IPCA+ e Prefixado — com os formatos equivalentes de CDB pós-fixado, prefixado e atrelado à inflação. O objetivo é mostrar quando cada produto cabe na carteira, considerando o cenário de juros e as mudanças do FGC em vigor desde 01/06/2026.
Critérios para comparar Tesouro e CDB
A escolha entre os dois envolve cinco variáveis: rentabilidade líquida (depois de IR e taxas), liquidez, garantia, prazo e custo operacional. O Tesouro Direto é emitido pelo Tesouro Nacional, considerado o ativo de menor risco de crédito da economia brasileira, e tem taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo (com isenção para Tesouro Selic até R$ 10 mil). O CDB é dívida de banco, coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, com o novo teto agregado de R$ 1 milhão em quatro anos. Ambos pagam Imposto de Renda regressivo conforme o prazo da aplicação.
Comparativo entre Tesouro e CDB em junho de 2026
| Produto | Taxa exemplo jun/2026 | Liquidez | Garantia | IR/IOF |
|---|---|---|---|---|
| Tesouro Selic 2029 | Selic + 0,08% | Diária (D+1) | Tesouro Nacional | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| Tesouro IPCA+ 2035 | IPCA + 6,40% | Diária com marcação a mercado | Tesouro Nacional | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| Tesouro Prefixado 2029 | 14,20% a.a. | Diária com marcação a mercado | Tesouro Nacional | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| CDB pós-fixado banco grande | 98% do CDI | Diária ou no vencimento | FGC até R$ 250 mil | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| CDB pós-fixado banco médio | 108% a 115% do CDI | No vencimento | FGC até R$ 250 mil | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| CDB IPCA+ | IPCA + 6,80% | No vencimento | FGC até R$ 250 mil | IR regressivo + IOF até 30 dias |
| CDB prefixado 3 anos | 14,80% a.a. | No vencimento | FGC até R$ 250 mil | IR regressivo + IOF até 30 dias |
Detalhe de cada opção
Tesouro Selic vs CDB pós-fixado de liquidez diária
Para reserva de emergência, a comparação é direta: Tesouro Selic 2029 paga Selic + 0,08% ao ano com liquidez em D+1; CDBs de liquidez diária dos grandes bancos costumam pagar 95% a 100% do CDI. Em geral o Tesouro Selic vence na rentabilidade líquida, mesmo com taxa de custódia, para aportes acima de R$ 10 mil. Para valores menores, o CDB de banco digital sem taxa pode empatar.
Tesouro IPCA+ vs CDB IPCA+
O título público IPCA+ longo paga prêmio menor que CDBs equivalentes — mas com a garantia do Tesouro. CDBs IPCA+ de bancos médios estão pagando IPCA + 6,80% para prazos de 5 a 7 anos, ante IPCA + 6,40% do Tesouro IPCA+ 2035. A diferença remunera o risco de crédito do emissor bancário.
Prefixados e marcação a mercado
Tanto Tesouro Prefixado quanto CDB prefixado têm rentabilidade conhecida no vencimento. A diferença prática aparece se o investidor precisar vender antes: o Tesouro Direto tem mercado secundário ativo via Tesouro Nacional, com preço diário, enquanto a venda antecipada de CDB depende de recompra do banco emissor — nem sempre disponível, e frequentemente com deságio.
Como escolher pelo perfil
Para reserva de emergência (até 6 meses de despesa), Tesouro Selic ou CDB de liquidez diária de banco grande. Para médio prazo (2 a 5 anos), CDB prefixado ou pós-fixado de banco médio dentro do teto do FGC tende a render mais que Tesouro de prazo equivalente. Para longo prazo (mais de 5 anos), Tesouro IPCA+ é o instrumento padrão para proteger contra inflação, e CDB IPCA+ entra como diversificação até o limite do FGC. Acima de R$ 1 milhão concentrado em renda fixa bancária, a recomendação é alongar para Tesouro e debêntures incentivadas.
Cuidados antes de aplicar
Verifique a marcação a mercado: títulos prefixados e IPCA+ oscilam no preço diário e podem registrar prejuízo se vendidos antes do vencimento em ciclo de alta de juros. Confirme se o CDB tem liquidez antes do vencimento — muitos não têm. Some todos os produtos do mesmo CPF no mesmo conglomerado para respeitar o teto do FGC. Atenção ao IOF nos primeiros 30 dias, que reduz drasticamente o rendimento de resgates rápidos. Em corretoras, confira se há taxa de administração: o Tesouro Direto tem custo zero na maioria das corretoras desde 2022.
Perguntas frequentes
Tesouro Selic pode dar prejuízo?
Em condições normais, não. O título acompanha a Selic e tem volatilidade mínima. Em estresse extremo de mercado, pode haver pequena variação negativa de curtíssimo prazo.
CDB de banco médio é seguro?
Está coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, dentro do teto agregado de R$ 1 milhão em quatro anos. Acima desses limites, o risco é do emissor.
Como funciona a marcação a mercado?
É a precificação diária do título no mercado secundário, baseada na taxa de juros corrente. Afeta Tesouro IPCA+ e Prefixado se vendidos antes do vencimento.
Vale aplicar em CDB acima do teto do FGC?
Tecnicamente é possível, mas o excedente fica sem cobertura. Para valores grandes, diversificar entre instituições e produtos é a prática usual.
Tesouro Direto tem taxa?
Sim, taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo, com isenção para Tesouro Selic até R$ 10 mil. Corretoras em geral não cobram taxa adicional.
Este conteúdo é informativo. Verifique condições atualizadas; em casos concretos, busque orientação profissional.
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