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Comparativos

KNCR11 vs MXRF11: qual fundo de papel escolher?

Dois dos maiores FIIs de papel do Brasil, lado a lado: um atrelado ao CDI, outro com provento mais estável. Como escolher entre eles depende do que você quer da renda — acompanhar o juro ou previsibilidade. O comparativo por estrutura, não por número do mês.

KNCR11 a R$ 107,76 (DY 13,46%) · MXRF11 a R$ 9,59 (DY 12,45%). Números reconferidos em 31/07/2026. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento. Consulte um profissional habilitado para decisões sobre o seu patrimônio.

KNCR11 e MXRF11 são os dois FIIs de papel mais negociados da B3 e funcionam como os exemplos didáticos de duas filosofias opostas dentro da mesma categoria. O Kinea Rendimentos é a transparência indexada: carteira de CRIs em CDI, rendimento que sobe e desce com a Selic, sem maquiagem. O Maxi Renda é a engenharia do provento fixo: paga R$ 0,10 por cota há anos, custe o que custar, misturando IPCA, CDI e jogadas táticas para sustentar esse número. Esta comparação coloca os dois lado a lado em junho de 2026 — não para eleger um vencedor universal, mas para mostrar qual filosofia serve a qual investidor.

Resposta direta

PerguntaKNCR11MXRF11
MandatoCRI CDI puro (transparente)Híbrido: CRI IPCA + CDI + tático
RendimentoVariável, segue o CDI (último R$ 1,10)Fixo em R$ 0,10/cota (com debate)
DY 12m13,46%12,45%
Melhor paraCarregar Selic com transparênciaProvento estável e liquidez máxima
Risco-chaveQueda da Selic derruba o proventoSustentabilidade do R$ 0,10 via reserva
P/VP acima de 1 não é sinal de “caro”: P/VP é o preço da cota dividido pelo valor patrimonial por cota — o quanto o mercado paga por cada real de patrimônio do fundo. Os dois FIIs desta comparação negociam muito perto de 1,00 (KNCR11 a 1,05, MXRF11 a 1,04), o que é normal para fundos de papel de carteira líquida e bem precificada; o alerta de sobrepreço relevante só aparece bem acima disso (1,15-1,20+), não nesta faixa.

Os números lado a lado (reconferidos em 31/07/2026)

IndicadorKNCR11MXRF11
CotaR$ 107,76R$ 9,59
Valor patrimonial/cotaR$ 102,48R$ 9,23
P/VP1,051,04
DY 12 meses13,46%12,45%
Último rendimento/cotaR$ 1,10 (variável)R$ 0,10 (fixo)
Liquidez diária médiaR$ 20,47 milhõesR$ 15,03 milhões
MandatoCRI CDIHíbrido (IPCA + CDI + tático)
GestoraKinea Investimentos (Itaú)XP Vista Asset (adm. BTG)
Nº de cotistas592.2261.485.331 (maior base PF da B3)

Fontes: Investidor10 (KNCR11) e Investidor10 (MXRF11), reconferidos em 31/07/2026 — os números de junho, na primeira versão desta peça, já haviam se movido (KNCR11 saiu de R$ 107,04 para R$ 107,76; MXRF11, de R$ 9,66 para R$ 9,59): é o lembrete de que cota e DY de FII mudam todo dia, e o que fica é a diferença de filosofia entre os dois mandatos. Com a Selic em 14,25% a.a., ambos surfam o juro alto — mas de formas diferentes.

Liquidez: quem negocia mais por dia. KNCR11 movimenta cerca de R$ 20,5 milhões/dia contra R$ 15 milhões/dia do MXRF11 (Investidor10, 31/07/2026) — os dois estão entre os FIIs mais líquidos da B3, mas para quem monta ou desmonta posição grande de uma vez, a diferença de liquidez diária importa mais do que a diferença de 1 ponto percentual no DY.

Quanto rende hoje: simulação com R$ 10 mil em cada fundo

Simulação (R$ 10.000, 31/07/2026)KNCR11MXRF11
Cotas compradas (aprox.)~92 cotas~1.043 cotas
Rendimento do mês de referência~R$ 101 (R$ 1,10/cota, variável)~R$ 104 (R$ 0,10/cota, fixo)
Natureza do valorSobe e desce com o CDISustentado por reserva quando falta receita

A simulação usa o último rendimento por cota informado por cada fundo e serve para ilustrar a ordem de grandeza — não é projeção de rendimento futuro, que varia mês a mês nos dois casos (mais no KNCR11, por desenho; menos no MXRF11, por engenharia). Quem investe R$ 10 mil hoje recebe uma cifra parecida nos dois fundos apesar do DY do KNCR11 ser maior, porque o preço da cota do MXRF11 é bem menor e compra proporcionalmente mais cotas.

O que cada um é

Kinea Rendimentos (KNCR11)

FII de papel da Kinea (grupo Itaú), com mandato concentrado em CRIs indexados ao CDI, de devedores de alta qualidade. Cota na faixa de R$ 107, P/VP de 1,04 (orbita o valor patrimonial), DY de 13,6%. É o veículo mais limpo para carregar Selic com isenção de IR: o que você vê é o que você leva, e o rendimento mensal sobe e desce acompanhando a taxa básica, sem suavização.

Maxi Renda (MXRF11)

FII de papel híbrido gerido pela XP Vista Asset (administração BTG Pactual), combinando CRIs indexados a IPCA, CRIs CDI e operações táticas. Cota de R$ 9,66, P/VP de 1,03, DY de 12,37%. Tem a maior base de cotistas pessoa física da B3 (mais de 1,45 milhão), em grande parte por causa da cota de valor baixo, que facilita aportes pequenos e fracionados. Paga R$ 0,10 por cota há vários meses — e é exatamente esse número fixo que gera o principal debate sobre o fundo.

Dividendos: variável honesto vs. fixo engenhoso

Aqui mora a diferença filosófica. O KNCR11 deixa o provento flutuar com o CDI: quando a Selic sobe, o rendimento sobe quase em linha; quando cai, o provento se ajusta para baixo. Não há suavização significativa via reserva — é transparente e previsível na sua lógica, ainda que variável no valor.

O MXRF11 faz o oposto: mantém R$ 0,10 por cota como um número quase sagrado, usando a reserva de resultado para sustentar o pagamento em meses de menor receita recorrente. Isso transformou o fundo em referência de “provento estável” para o investidor de renda — mas levanta a pergunta honesta: o R$ 0,10 é sempre lastreado em resultado recorrente, ou parte vem de ganho de capital e amortização? Não é irregular, mas exige acompanhar os relatórios gerenciais. O KNCR11 nunca terá esse debate, porque não promete um número fixo; o MXRF11 o tem justamente porque promete.

O R$ 0,10 não é indexado a nada. Ao contrário do KNCR11, cujo rendimento é uma consequência direta do CDI, o R$ 0,10/cota do MXRF11 é uma meta de gestão sustentada pela reserva de resultado quando a receita recorrente não cobre. Isso não o torna ilegítimo — só significa que “estável” aqui quer dizer “gerido para parecer estável”, não “travado por contrato”.

Como os dois se comportaram nos últimos 5 anos

KNCR11 vs MXRF11: dividend yield anual de 2021 a 2025 DY anual do KNCR11: 5,73% (2021), 12,61% (2022), 13,49% (2023), 11,26% (2024) e 13,85% (2025). DY anual do MXRF11: 9,25% (2021), 12,27% (2022), 12,98% (2023), 11,59% (2024) e 12,35% (2025). Fonte: Investidor10, histórico de indicadores, consultado em 31/07/2026. DY anual — KNCR11 x MXRF11 (2021-2025) KNCR11 MXRF11 2021 → 2025 2021 → 2025

DY anual20212022202320242025
KNCR115,73%12,61%13,49%11,26%13,85%
MXRF119,25%12,27%12,98%11,59%12,35%

O gráfico e a tabela mostram o mesmo padrão que a Selic ditou para todo o mercado de papel: DY baixo em 2021 (juro baixo), pico em 2023 (Selic no teto do ciclo), leve recuo em 2024 e nova alta em 2025. O KNCR11 amplifica mais essa onda — por ser 100% CDI, sobe mais quando o juro sobe e cai mais quando ele cai (de 5,73% para 13,85% em quatro anos). O MXRF11 oscila menos porque a reserva de resultado absorve parte do movimento, ao custo de não entregar o pico total quando o CDI está favorável.

Isenção de IR nos dois: pela Lei 11.033/2004 (art. 3º, III, com a redação da Lei 14.754/2023), dividendos de FII negociado exclusivamente em bolsa são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física que não seja titular de 10% ou mais das cotas do fundo — desde que o fundo tenha, no mínimo, 100 cotistas. KNCR11 (592.226) e MXRF11 (1.485.331) estão muito acima desse piso. O ganho de capital na venda da cota, esse sim, paga 20% de IR, sem a isenção de R$ 20 mil/mês que existe para ações. Mais em como avaliar um FII.

Riscos específicos de cada um

No KNCR11, o risco central é a queda da Selic: carteira majoritariamente CDI significa yield que acompanha a curva de juros para baixo em ciclo de afrouxamento. O risco de crédito existe, mas é diluído na pulverização de CRIs corporativos de boa qualidade.

No MXRF11, há três frentes: risco de crédito (carteira mais heterogênea, com parcela high yield), risco de descolamento entre IPCA e CDI (afeta a parcela inflação) e o risco de o mercado precificar uma redução do provento caso a reserva de resultado se esgote. A parcela IPCA dá proteção inflacionária que o KNCR11 não tem — em troca de mais complexidade e do debate sobre o R$ 0,10.

Nenhum dos dois é reserva de emergência. Apesar da liquidez diária alta, cota de FII oscila com o mercado — o dinheiro que sai em 2 dias úteis (D+2) pode sair por um preço menor do que entrou, se o momento de venda for ruim. Reserva de emergência mora em renda fixa pós-fixada e resgate imediato, não em fundo imobiliário. Ver como montar a reserva de emergência antes de tratar KNCR11 ou MXRF11 como “dinheiro de bolso”.

Como escolher pelo seu perfil

Para quem quer uma proxy direta de Selic, com transparência total sobre o que está carregando e sem surpresas de engenharia de provento, o KNCR11 conversa melhor. Para quem prioriza provento estável em reais, liquidez máxima e facilidade de aportar pouco (cota barata), o MXRF11 atende — com a tarefa de acompanhar a sustentabilidade do dividendo. Quem busca proteção contra inflação no portfólio se beneficia da parcela IPCA do Maxi Renda; quem prefere previsibilidade de mandato e leitura simples fica no Kinea. A combinação dos dois entrega exposição balanceada entre CDI e IPCA na carteira de papel — e é o que muitos cotistas fazem.

Perguntas frequentes

KNCR11 ou MXRF11 paga mais?

Hoje o KNCR11 tem DY um pouco maior (13,6% vs 12,37%), porque o CDI alto turbina a carteira de papel CDI. Mas o MXRF11 mantém o R$ 0,10 fixo, enquanto o provento do KNCR11 varia mês a mês. “Pagar mais” depende do horizonte e do ciclo de juros.

O R$ 0,10 do MXRF11 é garantido?

Não é garantido. É sustentado por receita recorrente e, em meses fracos, pela reserva de resultado. Não é irregular, mas pode ser revisado se a reserva se esgotar — por isso vale acompanhar o relatório gerencial.

Quem gere o MXRF11, BTG ou XP?

A gestão é da XP Vista Asset; a administração é do BTG Pactual. São papéis diferentes — o gestor decide a carteira, o administrador cuida da estrutura. Confusão comum.

Dá para ter os dois?

Sim, e é o mais comum. KNCR11 traz a exposição CDI transparente; MXRF11 adiciona IPCA e provento estável. Juntos, equilibram a parcela de papel da carteira entre os dois indexadores.

Qual é mais líquido?

Ambos estão entre os FIIs mais negociados da B3. O MXRF11 tem a maior base de cotistas PF (1,45 milhão) e cota barata, o que favorece entrada e saída de posições pequenas.

Veredito honesto

KNCR11 e MXRF11 não competem pelo mesmo investidor — competem pela mesma fatia “papel” da carteira, com filosofias opostas. O Kinea é a escolha de quem quer honestidade indexada: carrega CDI, paga o que rende, e avisa pela própria estrutura que o provento cai quando a Selic cair. O Maxi Renda é a escolha de quem valoriza o conforto de um número fixo na conta todo mês e a liquidez de ser o FII mais popular do Brasil — aceitando, em troca, a tarefa de vigiar se o R$ 0,10 segue lastreado.

Não há vencedor universal. Para proxy de Selic limpa, KNCR11; para provento estável com proteção inflacionária embutida, MXRF11. A carteira de papel mais robusta provavelmente tem os dois, e a proporção depende de quanto o investidor valoriza transparência (pende para o Kinea) versus estabilidade de fluxo e exposição a IPCA (pende para o Maxi Renda). O importante é entender que o DY maior do KNCR11 hoje é a Selic alta falando — e que o R$ 0,10 do MXRF11 é uma promessa de engenharia, não uma lei da natureza.

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Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras requerem análise individual.

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