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Investimentos

GARE11: análise completa do Guardian Real Estate — o que está por trás do DY

Um FII híbrido que negocia com desconto sobre o patrimônio: como o Guardian monta a renda, o que o P/VP abaixo do par diz de verdade e por que desconto nem sempre é oportunidade. A tese e os riscos, sem número que envelhece.

Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento. ⚠ Preço, DY e P/VP mudam todo dia — os números desta página vêm da ficha viva abaixo, atualizada do banco de dados da casa, e não de um retrato congelado no texto. A tese e os riscos são estruturais e mudam devagar. Consulte um profissional habilitado para decisões sobre o seu patrimônio.

O GARE11 (Guardian Real Estate) é um fundo imobiliário de tijolo com tese focada em renda urbana e varejo essencial — imóveis ocupados por redes de supermercado, atacarejo e ativos logísticos, com contratos de longo prazo. Ele costuma aparecer nas listas de “DY alto” e negocia com desconto sobre o valor patrimonial, uma combinação que chama atenção e que pede sempre a mesma pergunta: o rendimento é sustentável, ou é o preço da cota que caiu? Esta análise responde isso pelo mecanismo, não pelo número do dia.

GARE11 Fundo Imobiliário · B3 · Brasil · atualizado 17/09/2026 03:34
R$ 8,41 ▼ 0,47%
Dividend Yield 11,81% 12 meses
P/VP 0,93 Preço / Valor Patrimonial
Último rendimento R$ 0,08 Por cota
VP por cota R$ 9,07 Valor patrimonial

Fonte: Investidor10 + yahoo · Ver página do ativo

Resposta direta

Você procuraGARE11 serve?Por quê
Renda mensal alta de FII de tijoloSimO DY costuma ficar acima da média de tijolo, com pagamento mensal
Comprar cota com desconto sobre o patrimônioSimNegocia historicamente abaixo do VP — paga-se menos que R$ 1,00 por R$ 1,00 de imóvel
Imóveis de perfil defensivo (consumo essencial)SimSupermercado e atacarejo resistem melhor a crises que escritório ou shopping
Gestão com longo histórico consolidadoCautelaÉ um FII relativamente novo; menos histórico de ciclos que os veteranos
Não depender de um único inquilinoVerifiqueConcentração de locatários é o risco central da tese — está no relatório mensal
Por que esta página não crava o preço no texto. Ficha de ativo com número escrito no corpo envelhece em silêncio: o texto continua afirmando “negocia a R$ X” meses depois, com a mesma confiança, e quem lê não tem como saber que aquilo caducou. ⭐ Os números aqui vêm da ficha viva, que puxa do banco de dados da casa; o texto cuida do que não muda toda semana — a tese, o mecanismo e os riscos.
O que sustenta o dividendo de um FII de tijolo, camada por camada Quatro camadas entre o inquilino e o cotista: o contrato de locação define quanto entra; a ocupação define se entra; a gestão define quanto sobra depois de custos; e a distribuição define quanto chega ao cotista. Cada camada tem um risco próprio, e o dividend yield é apenas o resultado final dividido pelo preço da cota. O caminho do aluguel até o seu dividendo Cada camada pode quebrar sozinha — e o DY só mostra o fim da fila. 1. CONTRATO — quanto está combinado risco: reajuste travado abaixo do mercado · atípico protege e engessa 2. OCUPAÇÃO — se o dinheiro entra mesmo risco: vacância, inadimplência, concentração de inquilinos 3. GESTÃO — quanto sobra depois dos custos risco: taxa de administração, obras, alavancagem, emissão diluidora 4. DISTRIBUIÇÃO — quanto de fato é pago risco: parte vir de venda de ativo ou de caixa, e não do aluguel O DY = camada 4 ÷ preço da cota. Ele não distingue qual camada produziu o número.
Comparar FII por DY é comparar o fim da fila sem olhar a fila.

A tese — renda defensiva com desconto

A lógica do GARE11 é simples e defensável: imóvel alugado para quem vende comida não fecha as portas na primeira crise. Supermercado e atacarejo são consumo essencial — a inadimplência e a vacância tendem a ser menores que em lajes corporativas (que sofrem com home office) ou shoppings (que sofrem com recessão de consumo discricionário). Contratos longos, muitos atípicos (com multas pesadas para saída antecipada), dão previsibilidade ao fluxo de aluguel. A isso se soma o desconto: comprar abaixo do valor patrimonial significa pagar menos que o valor dos imóveis, o que dá margem de segurança e potencial de valorização se o mercado fechar o gap.

O DY alto de tijolo: por que ele aparece, e o que ele esconde

Fundo de tijolo costuma render menos que fundo de papel, porque parte do retorno vem da valorização do imóvel e não só do aluguel. Quando um FII de tijolo aparece com DY muito acima da média do segmento, a explicação quase nunca é “o aluguel subiu” — são três causas possíveis, e elas têm consequências opostas para quem compra.

De onde vem o DY altoO que isso significaDura?
A cota caiuO aluguel é o mesmo; o denominador encolheu. Pode ser oportunidade realSim — enquanto o aluguel se mantiver
Ganho de capital pontualO fundo vendeu um imóvel e distribuiu o lucro. Entra no DY e não voltaNão. É evento único
Receita não recorrenteMulta de rescisão, acordo, indenização de locatárioNão. E costuma vir com má notícia junto
Distribuição acima do resultadoO fundo paga mais do que gerou, usando caixa acumuladoNão, e reduz o patrimônio
O campo que separa as quatro causas tem nome, e está no relatório mensal: resultado recorrente. Compare-o com a distribuição do mesmo mês. Se o fundo distribuiu mais do que o resultado recorrente, a diferença veio de venda de ativo, evento pontual ou caixa — e nenhum dos três se repete. ⚠ Projetar renda futura usando um DY inflado por essas linhas é o erro mais caro de quem escolhe FII por planilha de ranking: o número existe, é verdadeiro, e não vai acontecer de novo.

O que abrir no relatório mensal — e em que ordem

São cinco campos, e eles respondem quase tudo o que importa nesta tese. A ordem não é arbitrária: cada um só faz sentido depois do anterior, e parar no primeiro é o que produz a decisão errada.

OrdemO campoA pergunta que ele respondeO que acende o alerta
Resultado recorrente × distribuiçãoO dividendo veio do aluguel?Distribuir mais que o recorrente, mês após mês
Concentração de locatáriosQuantos precisam sair para doer?Um inquilino acima de ~20% da receita
Vacância física e financeiraEstá cheio, e pagando?As duas divergirem muito — houve desconto ou carência
Vencimentos dos contratosQuanto está em risco nos próximos 12 meses?Fatia grande vencendo junto, em mercado fraco
Alavancagem e obrigaçõesO fundo deve?Dívida com custo indexado subindo mais que o aluguel

Riscos que você assume

  • Concentração em inquilinos: se poucas redes de varejo respondem por boa parte da receita, a saída ou dificuldade de uma delas pesa. Verifique a diversificação de locatários no relatório.
  • Rendimento não-recorrente: parte do DY alto pode vir de ganho de capital ou receitas pontuais, que não se repetem. O DY “normalizado” (só aluguel) pode ser menor.
  • Histórico curto: é um fundo novo frente aos veteranos de tijolo. Menos ciclos enfrentados significa menos prova de resiliência da gestão.
  • Juro alto: com a Selic em 13,75% a.a., FII compete com renda fixa — o que pressiona o preço das cotas para baixo (e é parte do porquê do desconto).
  • Contrato atípico corta dos dois lados: a multa pesada protege o fundo se o inquilino sair, mas também trava o aluguel — em ciclo de inflação alta, o reajuste contratado pode ficar abaixo do que o mercado pagaria por aquele imóvel.
“Defensivo” é sobre a probabilidade, não sobre o tamanho da perda. Varejo essencial reduz a chance de vacância — as pessoas continuam comprando comida em recessão. ⛔ Mas não reduz a concentração: se três redes respondem pela maior parte da receita e uma entra em recuperação judicial, o fato de ela vender comida não ajuda em nada. A pergunta defensiva certa não é “o setor é resiliente?”, é “quantos inquilinos precisam quebrar para o meu dividendo cair?” — e essa está no relatório, não na tese.

Esta análise faz parte do guia de Análise de ação, que reúne tudo o que a casa publicou sobre o assunto. Se a dúvida é entre este e um fundo de papel, o comparativo de papel versus tijolo explica por que os dois reagem em direções opostas ao mesmo ciclo de juros.

A emissão de novas cotas é o risco que ninguém coloca na planilha. Um FII cresce emitindo — e se a emissão sai a preço abaixo do valor patrimonial, quem já era cotista tem o patrimônio por cota diluído, mesmo sem fazer nada. ⚠ Em fundo novo e em expansão, isso não é hipótese: é o plano de crescimento. Antes de comprar por P/VP descontado, veja se há emissão anunciada — porque o desconto que atraiu você pode ser exatamente o preço da próxima emissão, e aí ele não é oportunidade, é aviso.

Perguntas frequentes

O dividend yield alto do GARE11 é sustentável?

Depende de qual das quatro origens da tabela acima ele veio. Cheque no relatório gerencial quanto da distribuição é resultado recorrente e quanto é ganho de capital ou receita pontual — o DY de aluguel “limpo” é o único número confiável para projetar renda futura. Um DY alto porque a cota caiu é uma coisa; porque o fundo vendeu um galpão é outra completamente diferente.

Por que GARE11 negocia abaixo do valor patrimonial?

Com juro alto, o mercado exige retorno maior dos FIIs, e o preço das cotas cai até o DY ficar competitivo com a renda fixa. O desconto sobre o patrimônio é, em parte, esse ajuste — e a oportunidade, se você acredita no valor dos imóveis. ⚠ Desconto também pode refletir desconfiança do mercado quanto à qualidade dos ativos ou à concentração: P/VP baixo não é, sozinho, sinal de barganha.

FII de tijolo de varejo é mais seguro que de escritório?

Tende a ser mais defensivo: consumo essencial (comida) é menos cíclico que escritório (afetado por home office) ou shopping (afetado por consumo discricionário). “Mais defensivo” não é “sem risco” — concentração de inquilinos e localização ainda importam.

GARE11 é isento de Imposto de Renda?

Os rendimentos mensais distribuídos por FII são isentos de IR para pessoa física que cumpre as condições da Lei 11.033/2004: o fundo precisa ter no mínimo 100 cotistas (redação dada pela Lei 14.754/2023), cotas negociadas em bolsa ou balcão organizado, e o investidor não pode deter 10% ou mais das cotas. O ganho de capital na venda da cota, esse sim, é tributado em 20% — sem a isenção de R$ 20 mil que existe para ações.

Vale a pena comprar agora?

Esta página não responde “agora” — o preço muda todo dia e a resposta envelheceria junto. O que dá para dizer é o método: veja o P/VP e o DY na ficha viva acima, confirme no relatório mensal quanto do dividendo é recorrente, cheque a concentração de inquilinos, e compare o DY limpo com o que a renda fixa paga no momento. Se o desconto sobrevive a essas três perguntas, o ponto de entrada é seu para decidir — dimensionando a posição e sem concentrar num fundo só.

Quanto do meu patrimônio pode ficar num FII só?

Não há regra legal, mas há aritmética: se um fundo responde por mais de 10% a 15% da carteira de renda variável, um problema específico dele (um inquilino que sai, uma emissão diluidora) passa a mexer no seu resultado total. Em FII, diversificar é diversificar por segmento também — cinco fundos de logística não são cinco riscos diferentes.

Fundo de tijolo com um inquilino só não é fundo de tijolo — é crédito com um imóvel de garantia. A diferença aparece no dia em que o contrato vence: num fundo pulverizado, a saída de um inquilino tira um pedaço do rendimento; num monoinquilino, tira o rendimento. ⚠ Isso não torna o ativo ruim — torna o vencimento do contrato a data mais importante do relatório, acima do DY e acima do P/VP. ⛔ Quem compra pelo dividend yield sem abrir a data de vencimento está comprando um número que tem prazo de validade contratual, e o mercado costuma reprecificar a cota bem antes de o contrato acabar.

Veredito

O GARE11 é um FII de tijolo defensivo, negociado com desconto sobre o patrimônio e pagando renda mensal acima da média do segmento, lastreada em imóveis de varejo essencial — perfil que faz sentido para quem busca dividendo e tolera o risco imobiliário. Os pontos de atenção são honestos e verificáveis: confirme quanto do dividendo é resultado recorrente (e não ganho pontual), cheque a concentração de inquilinos, e lembre que é um fundo de histórico ainda curto.

Para uma carteira de renda diversificada, entra bem como a fatia de tijolo defensivo — não como aposta única. O desconto e o DY recompensam quem entende que está comprando imóveis de supermercado, com tudo de previsível e de limitado que isso traz: o aluguel não vai surpreender para cima, e é exatamente esse o ponto.

Os indicadores usados nesta análise — P/VP e DY 12 meses — são explicados em como avaliar um FII e na guia de renda variável do zero, incluindo por que FII não usa o método Bazin e quando o DY alto é armadilha.

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