Atualizado em setembro de 2026 · Selic em 14,00% a.a. · CDI em ~13,90% a.a.. Conteúdo educativo, sem recomendação personalizada de investimento ou financeira. Os números de carga tributária, dívida e arrecadação citados têm fonte primária e data de consulta no bloco final; refletem a data de publicação. Consulte um profissional habilitado antes de decisões patrimoniais.
A frase que Arthur Laffer escreveu e quase ninguém repete: a curva não diz se cortar imposto aumenta ou reduz a arrecadação
Existe um desenho que aparece toda vez que alguém propõe cortar imposto no Brasil, e ele costuma ser apresentado como se fosse uma lei da física: uma curva em forma de sino, alíquota no eixo horizontal, arrecadação no vertical, e a conclusão pronta de que o país está “do lado errado” e arrecadaria mais cobrando menos. O desenho tem nome, tem uma história de guardanapo em 1974 e tem um autor que, em 2007, escreveu com todas as letras: “The Laffer Curve itself doesn’t say whether a tax cut will raise or lower revenues.” A curva, nas palavras de quem a batizou, não diz se um corte de imposto aumenta ou diminui a receita. Ela diz que depende — e o que quase ninguém faz é a parte trabalhosa, que é medir de que lado a economia está.
Este texto faz a parte trabalhosa. Ele explica o que a curva afirma de verdade, mostra onde a medição encontrou o pico nas economias em que alguém mediu, aplica isso ao Brasil de 2026 com os números do Tesouro, da Receita e do Banco Central — e chega ao que interessa a quem investe: quando a promessa de “o corte se paga sozinho” falha, quem paga é a dívida pública, e a dívida pública é o preço do dinheiro que você empresta ao governo pelo Tesouro Direto. Risco-país não é abstração de noticiário: é a diferença entre 7,30% e 4,85% ao ano, e eu mostro de onde saíram esses dois números.
Resposta direta
A Curva de Laffer afirma que existe uma alíquota acima da qual cobrar mais reduz a arrecadação, porque as pessoas trabalham, investem e declaram menos. Isso é verdade e é antigo. O que ela não diz é onde fica esse ponto — e as medições disponíveis apontam que a maioria das economias, inclusive a americana, está aquém dele. Cortar imposto quase nunca se paga sozinho; o que se paga é a dívida, e ela é o seu risco-país.
Os números que sustentam este texto, com a data em que os abri
- 32,40% do PIB foi a carga tributária bruta brasileira em 2025 pelo Tesouro Nacional (boletim de 10/04/2026); a OCDE, com outra metodologia, mede 33,7% em 2024, contra média da OCDE de 34,1%.
- R$ 612,84 bilhões é o gasto tributário previsto para 2026 pela Receita Federal — 4,43% do PIB, um quinto do que ela arrecada. O Brasil não tem uma alíquota; tem seiscentos bilhões de exceções.
- 82,51% do PIB era a dívida bruta do governo geral em julho de 2026 (BCB, série 13762), contra 73,83% em dezembro de 2023.
- 245 pontos-base foi o prêmio que o Brasil pagou sobre o Tesouro americano ao vender um título de 30 anos em fevereiro de 2026: 7,30% ao ano contra 4,85% — o risco-país em dinheiro, não em índice.
- Zero efeito sobre o emprego: foi o que o IPEA encontrou ao medir a desoneração da folha, o maior experimento “à la Laffer” que o Brasil fez neste século.
O guardanapo de 1974 — e o que a curva afirma de verdade
A história oficial é de Jude Wanniski, então editor associado do Wall Street Journal: num jantar em dezembro de 1974, no Two Continents Restaurant, em Washington, com Donald Rumsfeld, chefe de gabinete do presidente Ford, e Dick Cheney, seu vice, o economista Arthur Laffer teria desenhado num guardanapo a relação entre alíquota e arrecadação para argumentar contra o aumento de impostos que Ford propunha. Wanniski batizou o desenho em 1978. O próprio Laffer diz não lembrar da noite, e brinca que o restaurante usava guardanapos de pano e a mãe dele o ensinara a não estragar coisas boas.
Mais importante que a lenda é o que Laffer escreveu em seguida, no mesmo texto: “The Laffer Curve, by the way, was not invented by me; it has its origins way back in time.” Ele cita Ibn Khaldun, no século XIV — “no começo da dinastia, a tributação rende muita receita com pequenas cobranças; no fim da dinastia, rende pouca receita com grandes cobranças” — e Keynes, que escreveu que a tributação pode ser tão alta a ponto de derrotar o próprio objetivo. A ideia é antiga, é sensata e não é de direita nem de esquerda: foi o próprio Keynes quem a formulou com mais clareza, meio século antes de ela virar bandeira do governo Reagan.
O mecanismo tem dois lados, e Laffer os nomeia. O efeito aritmético: se a alíquota cai, a arrecadação cai na mesma proporção sobre a mesma base. O efeito econômico: alíquota menor estimula trabalho, produção e investimento, e desestimula a fuga para a informalidade e o planejamento tributário, o que aumenta a base. A curva é só a soma dos dois. Em alíquota zero a receita é zero; em alíquota de 100% ninguém produz e a receita também é zero; em algum ponto entre os dois há um máximo. Até aqui é matemática, e ninguém sério discorda.
O debate inteiro cabe na interrogação do desenho. Se a alíquota vigente está à direita do pico, na faixa proibitiva, cortar imposto aumenta a receita e o governo deveria fazê-lo por interesse próprio. Se está à esquerda, cortar imposto custa receita — e o corte precisa ser pago com corte de gasto, com dívida ou com inflação. Toda a discussão séria sobre a curva é sobre de que lado do pico a economia está; toda a discussão rasa assume que está à direita e segue em frente.
A pergunta que separa análise de propaganda: “de que lado do pico estamos, e como você mediu?” Quem responde com o desenho não mediu nada. Quem responde com o número da arrecadação depois do corte, comparado com o que teria acontecido sem ele, mediu. As duas seções seguintes fazem a segunda coisa.
Onde a medição encontrou o pico — e por que os cortes famosos não se pagaram
Em 2011, Mathias Trabandt e Harald Uhlig publicaram no Journal of Monetary Economics o estudo mais citado sobre a posição real das economias na curva. O título é uma pergunta — How far are we from the slippery slope?, “a que distância estamos da ladeira escorregadia” — e a resposta, para os Estados Unidos e para os catorze países da União Europeia analisados, é que estão do lado esquerdo do pico, com folga. Pelas contas deles, os Estados Unidos poderiam aumentar a arrecadação em 30% subindo o imposto sobre o trabalho e em 6% subindo o imposto sobre o capital antes de chegar ao máximo; a Europa, já mais tributada, em 8% e 1%. O corolário para quem corta: na Europa, 54% de um corte no imposto sobre trabalho e 79% de um corte no imposto sobre capital se autofinanciam — uma parte se paga, o resto vira déficit. Autofinanciamento parcial é o resultado normal; autofinanciamento total é a exceção que ninguém achou.
Isso é modelo. O teste mais duro é a arrecadação observada depois dos grandes cortes, e o dado está aberto no Tesouro americano, via OMB e FRED, em receita federal como percentual do PIB:
| Episódio | O que se fez | Receita federal (% do PIB) | O que a curva previa × o que aconteceu | Apurado em |
|---|---|---|---|---|
| Reagan, 1981 (ERTA) | alíquota máxima federal de 70% para 28% ao longo da década (Laffer, 2007) | 18,7% em 1981 → 16,5% em 1983 → 17,6% em 1989 | o Tesouro estimou o custo em 2,89% do PIB ao ano (média de 4 anos); a receita nunca voltou ao nível de 1981 durante o governo, e o Congresso subiu impostos já em 1982 | 11/09/2026 (FRED · OTA/Treasury) |
| Clinton, 1993 (OBRA-93) | aumento da alíquota máxima para 39,6% | 16,8% em 1993 → 19,8% em 2000 | pela leitura rasa da curva, subir imposto derrubaria a receita; ela subiu 3 pontos do PIB — a economia estava à esquerda do pico | 11/09/2026 (FRED) |
| Kansas, 2012–2017 | corte de quase 30% na alíquota máxima estadual e alíquota zero sobre o lucro de empresas “pass-through” (descrição do CBPP, fonte secundária declarada no bloco final) | a receita caiu abaixo do previsto e o próprio Legislativo, de maioria republicana, derrubou o veto do governador e restaurou o imposto em 6/6/2017 (27×13 no Senado, 88×31 na Câmara) | foi vendido como “experimento real” da curva; o experimento reprovou e foi revertido por quem o aprovou | 11/09/2026 (Kansas Legislature) |
| Trump, 2017 (TCJA) | corte amplo do imposto de renda de empresas e de pessoas físicas (Tax Cuts and Jobs Act) | 16,9% em 2017 → 16,1% em 2018 → 16,1% em 2019 | a receita caiu 0,8 ponto do PIB no ano seguinte, antes de qualquer choque externo | 11/09/2026 (FRED) |
Nenhuma dessas linhas prova que corte de imposto é ruim, e é preciso dizer isso com a mesma firmeza. Elas provam algo mais estreito e mais útil: nos casos em que alguém mediu, o corte não se pagou sozinho. Reagan cortou, a receita caiu, e o país cresceu — mas cresceu com déficit, financiado por dívida. Pode ser uma troca boa. Só não é a troca que a curva promete quando alguém a desenha num guardanapo.
Há um detalhe metodológico que muda a leitura da tabela, e ele é a favor de quem defende o corte: a alíquota importa mais quanto mais alta ela é. Laffer mostra isso com Kennedy: a alíquota máxima americana caiu de 91% para 70% entre 1961 e 1965, e para quem estava nela o rendimento líquido de cada dólar subiu de 9 para 30 centavos — um aumento de 233% no incentivo. O mesmo corte de 21 pontos aplicado a uma alíquota de 30% muda quase nada. É por isso que a curva funcionava em 1964 e não funcionou em Kansas: de 91% para 70% há efeito econômico enorme; num corte de menos de dois pontos numa alíquota estadual de um dígito, quase nenhum — e sobra só o efeito aritmético, que é perda de receita.
O Brasil na curva: 32,4% do PIB é a resposta a uma pergunta que não é a nossa
O número que circula é “o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo”. Vale conferir na fonte. O Tesouro Nacional publicou em 10 de abril de 2026 o boletim de estimativa da carga tributária bruta: 32,40% do PIB em 2025, alta de 0,18 ponto sobre 2024, puxada pelo imposto de renda retido na fonte (massa salarial maior), pelo IOF e pelas contribuições previdenciárias. O Tesouro segue o manual de estatísticas fiscais do FMI de 2014 e avisa que o dado oficial é o da Receita Federal. A OCDE, na Revenue Statistics in Latin America and the Caribbean 2026, mede o Brasil em 33,7% em 2024 — acima da média latino-americana de 21,7% e abaixo da média da OCDE, de 34,1%. As duas medidas divergem porque classificam as receitas por manuais diferentes — o do FMI no Tesouro, o da própria OCDE no relatório dela —, e a divergência é de método, não de erro; nenhuma das duas coloca o Brasil no topo do mundo. A Dinamarca, no topo da OCDE, está em 45,2% — e arrecada mais com alíquotas maiores, o que, pela curva, significa que também está à esquerda do pico.
Então a resposta à pergunta “o Brasil está na faixa proibitiva?” é: pela carga total, não há evidência disso. Mas carga total é a pergunta errada, e é aqui que este texto se separa do que costuma circular sobre o assunto. A curva é sobre alíquota marginal sobre uma atividade específica, não sobre a soma de tudo que o Estado arrecada dividida pelo PIB. Um país pode estar à esquerda do pico no agregado e à direita em três tributos específicos — e o Brasil é o caso de manual disso, por três razões que a própria Receita documenta.
| Medida | Brasil | Referência | O que isso diz sobre a curva | Fonte · apurado em |
|---|---|---|---|---|
| Carga tributária bruta (Tesouro) | 32,40% do PIB (2025) | 32,22% em 2024 | a alta veio de renda (IRRF) e folha (RGPS), não de consumo: bens e serviços caíram de 13,87% para 13,78% do PIB | Tesouro · 11/09/2026 |
| Carga tributária (OCDE) | 33,7% do PIB (2024) | OCDE 34,1% · América Latina 21,7% · Dinamarca 45,2% | o Brasil é país de carga média, não de carga extrema | OCDE · 11/09/2026 |
| Impostos sobre bens e serviços | 14,4% do PIB | renda e lucro: 9,1% do PIB | o peso está no consumo; a curva de Laffer do IR brasileiro é uma curva pequena | OCDE (2024) · 11/09/2026 |
| Gasto tributário (renúncia) | R$ 612,84 bi = 4,43% do PIB (2026) | 20,20% da receita administrada | a alíquota “cheia” não é o que a maioria paga: um quinto da receita é devolvido em exceções | Receita, DGT PLOA 2026 · 11/09/2026 |
| Informalidade | 37,4% dos ocupados (2º tri 2026) | de 25,4% em Santa Catarina a 56,9% no Maranhão | é onde o “efeito econômico” da curva vive de fato: quem já não paga não responde a corte | IBGE, PNAD Contínua · 11/09/2026 |
A primeira razão é a composição. Pela OCDE, o Brasil arrecada 14,4% do PIB em impostos sobre bens e serviços e 9,1% em impostos sobre renda e lucro. A curva de Laffer que interessa a quem investe — a do imposto sobre renda e capital — é, no Brasil, uma curva pequena: o país tributa pouco a renda e muito o consumo. Quem diz que “o Brasil está na faixa proibitiva” quase sempre está falando do peso total sobre uma empresa, que é real, e não da alíquota marginal sobre o investidor, que é das mais baixas entre as economias grandes. A tabela seguinte, sobre 2025, mostra o que aconteceu quando o governo mexeu justamente nessa parte.
A segunda razão é a mais importante e a menos discutida: o Brasil não tem uma alíquota — tem R$ 612,84 bilhões de exceções. É o gasto tributário previsto para 2026 no demonstrativo que a Receita Federal envia com o orçamento: 4,43% do PIB e 20,20% de tudo que ela arrecada. O maior item é o Simples Nacional, com 21,91% do total — cerca de R$ 134 bilhões, aplicando o percentual ao total do mesmo documento —, seguido de agricultura e agroindústria (12,93%), rendimentos isentos do IRPF (10,31%) e entidades sem fins lucrativos (9,13%). Cada um desses itens é um corte de imposto “à la Laffer” já concedido, com a mesma justificativa da curva: cobrar menos de um setor para que ele produza mais e a base cresça. A pergunta cética é se algum deles se pagou. E o Brasil tem uma resposta medida.
O experimento brasileiro, e ele reprovou. A desoneração da folha de pagamentos (Lei 12.546/2011) trocou a contribuição patronal de 20% sobre salários por 1% a 2% sobre o faturamento em dezenas de setores, com a promessa explícita de gerar emprego — a curva de Laffer aplicada à folha. O IPEA mediu, no Texto para Discussão 2357 (2018), comparando setores desonerados e não desonerados na RAIS de 2009 a 2015, e concluiu: “os resultados obtidos apontam para a ausência de efeitos da política sobre o volume de empregos.” O benefício segue em vigor até 31/12/2027, segundo o demonstrativo da Receita. O efeito aritmético aconteceu — o Tesouro deixou de arrecadar — e o efeito econômico não apareceu no dado.
A terceira razão é a informalidade. Pela PNAD Contínua do IBGE, 37,4% dos ocupados estavam na informalidade no segundo trimestre de 2026 — 25,4% em Santa Catarina, 56,9% no Maranhão. Esse é o lugar onde o “efeito econômico” de Laffer mora de verdade: quem está fora do sistema não responde a corte de alíquota, porque já paga zero; e quem está dentro, ao ver a alíquota cair, tem menos motivo para sair. A curva funciona na margem entre os dois — e a margem brasileira é grande, o que dá à tese de Laffer mais chance aqui do que nos Estados Unidos. Só que essa chance é sobre formalização, e formalização se mede em CNPJ aberto e carteira assinada, não em receita do ano seguinte. É o argumento honesto a favor do Simples, e é um argumento que exige a medição que a desoneração da folha não sobreviveu.
E o IVA da reforma tributária, que aparece nos textos sobre o tema como “o maior do mundo, de 28%”? A Lei Complementar 214/2025 diz outra coisa, e vale ler o artigo. As alíquotas de 2026 são de teste — CBS de 0,9% e IBS de 0,1% —, a cobrança começa em 2027 pela CBS e em 2029 pelo IBS, e a alíquota de referência ainda será fixada por resolução do Senado. O que a lei traz é uma trava de revisão: se a soma das alíquotas de referência estimadas passar de 26,5%, o Executivo é obrigado a mandar ao Congresso um projeto que a reduza. Isso não é uma alíquota de 28%; é a lei reconhecendo que o número final depende de quantas exceções sobreviverem — e cada exceção empurra a alíquota de quem não a tem para cima. É a curva de Laffer ao contrário: o país cobra alíquota alta de poucos porque cobra pouco de muitos.
Risco-país: o que a curva faz com o juro que você recebe
Aqui a discussão sai da política e entra na sua carteira. Quando um corte de imposto não se paga, a diferença entre o que o governo gasta e o que arrecada vira dívida. A dívida bruta do governo geral, pela série 13762 do Banco Central, era de 73,83% do PIB em dezembro de 2023, 76,27% em dezembro de 2024, 78,64% em dezembro de 2025 e 82,51% em julho de 2026. Quase nove pontos do PIB em dois anos e meio. Quem financia essa dívida cobra por isso — e “quem” inclui você, toda vez que compra um título no Tesouro Direto.
| Data | Dívida bruta do governo geral (% do PIB) | Variação acumulada desde dez/2023 | Fonte · apurado em |
|---|---|---|---|
| dez/2023 | 73,83% | — | BCB SGS 13762 · 11/09/2026 |
| dez/2024 | 76,27% | +2,44 p.p. | BCB SGS 13762 · 11/09/2026 |
| dez/2025 | 78,64% | +4,81 p.p. | BCB SGS 13762 · 11/09/2026 |
| jul/2026 | 82,51% | +8,68 p.p. | BCB SGS 13762 · 11/09/2026 |
O risco-país costuma ser citado por um índice, o EMBI+ do JP Morgan, e vale um aviso que quase nenhum texto faz: a série pública desse índice parou em 30 de julho de 2024 — a última observação no Ipeadata é de 228 pontos naquele dia, e não há atualização desde então. Quem cita “o risco-país está em X pontos” em 2026 está citando um número de outra fonte, e você tem o direito de perguntar qual. Eu prefiro um número que o próprio Brasil assinou.
Em 9 de fevereiro de 2026, a República Federativa do Brasil vendeu US$ 1 bilhão de um título global com vencimento em 2056, registrado na SEC americana. Segundo o documento de precificação registrado na SEC, o título saiu com cupom de 7,250% e taxa de 7,300% ao ano, contra 4,850% do título de referência do Tesouro americano com vencimento em 2055 — um spread de 245 pontos-base. Ratings no mesmo documento: Ba1 pela Moody’s, BB pela S&P e BB pela Fitch, todos com perspectiva estável — abaixo do grau de investimento nas três agências. Isso é o risco-país sem intermediário: por trinta anos, o Brasil paga 2,45 pontos percentuais ao ano a mais que os Estados Unidos para tomar dinheiro emprestado, porque quem empresta cobra pela chance de a conta fiscal não fechar.
A cadeia que liga a curva ao seu extrato. Corte de imposto que não se paga → déficit → dívida sobe (de 73,83% para 82,51% do PIB em 31 meses) → credor cobra prêmio (245 pontos-base na emissão de fevereiro) → o Tesouro paga mais para rolar a dívida em reais também → o Tesouro IPCA+ e o Tesouro Prefixado que você compra rendem mais justamente porque o risco subiu. Juro alto no Tesouro Direto não é presente: é o preço do risco que a política fiscal produz. A Selic em 14,00% a.a. é o lado doméstico da mesma conta.
Há uma segunda ponta, menos óbvia. O investidor que compra ação, FII ou renda fixa privada compete com esse mesmo Tesouro. Quanto mais o governo paga para se financiar, mais alto fica o piso que qualquer outro ativo precisa superar para valer a pena — e mais barato o mercado precifica o que já existe. Um prêmio de risco maior derruba o preço de tudo que paga fluxo de caixa no futuro, porque o desconto que se aplica a esse fluxo sobe. É por isso que a discussão sobre a curva de Laffer não é acadêmica para quem tem carteira: a resposta errada custa em rendimento de título, em preço de ação e em câmbio, ao mesmo tempo.
Política: o que 2025 e 2026 ensinaram sobre a curva no Brasil
Em doze meses o Brasil fez três movimentos que testam a curva, e cada um ensina uma coisa diferente. Nenhum deles foi um corte de imposto do tipo Reagan; dois foram aumentos, e é justamente por isso que servem — a curva também prevê o que acontece quando se sobe a alíquota.
| Movimento | O que é | O que a curva prevê | O que aconteceu, medido | Fonte · apurado em |
|---|---|---|---|---|
| Lei 15.270/2025 — isenção até R$ 5.000 e imposto sobre dividendos | isenção do IRPF mensal até R$ 5.000, redução até R$ 7.350; 10% na fonte sobre dividendos acima de R$ 50.000/mês por empresa; imposto mínimo de até 10% para renda anual acima de R$ 600.000. Efeitos desde 1º/01/2026 | o “efeito econômico” na direção contrária: quem pode antecipa o dividendo para antes da alíquota | a própria lei previu a resposta: dividendos de resultados até 2025 aprovados até 31/12/2025 ficam fora da retenção de 10% na fonte do art. 6º-A, ainda que pagos em 2026, 2027 ou 2028. O comportamento que a curva descreve foi escrito no texto legal | Planalto · 11/09/2026 |
| MP 1.303/2025 — 5% sobre LCI/LCA, 17,5% unificado na renda fixa | tributar títulos isentos novos e unificar a alíquota das aplicações financeiras, para compensar o recuo do decreto do IOF | subir alíquota em base móvel (dinheiro muda de produto) rende menos que o aritmético | não chegou a ser testada: a Câmara retirou a MP de pauta em 8/10/2025 por 251 votos a 193, e ela caducou. O governo contava com cerca de R$ 17 bilhões em 2026 | Câmara dos Deputados · 11/09/2026 |
| Decreto do IOF, 2025 | aumento por decreto, derrubado pelo Congresso, parcialmente restabelecido pelo STF | tributo sobre operação financeira é o mais fácil de arrecadar e o mais fácil de evitar | o IOF contribuiu com +0,10 ponto do PIB para a carga de 2025, segundo o Tesouro — subiu a receita, e o custo político consumiu a MP seguinte | Tesouro · Câmara · 11/09/2026 |
O primeiro caso é o mais elegante, porque a resposta comportamental que a curva prevê está dentro da lei. O artigo 6º-A da Lei 9.250/1995, na redação da Lei 15.270, cria a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês a partir de janeiro de 2026 — e o parágrafo seguinte isenta os lucros de resultados apurados até 2025 cuja distribuição tenha sido aprovada até 31 de dezembro de 2025, mesmo que o pagamento aconteça em 2026, 2027 ou 2028. O legislador sabia que as empresas antecipariam a aprovação de dividendos para escapar da alíquota, e escreveu a porta. Pelo levantamento da plataforma Meu Dividendo publicado pelo Investidor10 em 6/1/2026 — contexto de mercado, não número de manchete —, os proventos pagos na B3 em 2025 somaram R$ 355,8 bilhões, 15,2% acima de 2024; excluídos Petrobras e Vale, R$ 274,4 bilhões, 49% acima dos R$ 183,7 bilhões de 2024. Se você tem ações que pagam dividendo, já viveu o efeito econômico de Laffer no seu extrato de dezembro — e a peça da casa sobre carteira de dividendos mostra por que o dividendo antecipado não é dinheiro novo.
O segundo caso é a curva de Laffer política, que é uma curva diferente e mais brasileira. A MP 1.303 não caiu porque a economia estava na faixa proibitiva; caiu porque 251 deputados decidiram que ela não seria votada. No Brasil, o limite para subir imposto raramente é a resposta da economia — é a resposta do Congresso, e ele responde antes. Isso importa para quem investe em CRI, CRA, LCI e LCA: a isenção desses papéis é um gasto tributário como qualquer outro do demonstrativo da Receita, ela sobreviveu em 2025 por 58 votos de diferença, e o próximo ano fiscal apertado vai testá-la de novo. Ninguém pode dizer quando; qualquer um pode dizer que o teste virá.
E o terceiro caso fecha o argumento sobre alíquota marginal: o IOF é o tributo que mais se parece com a curva no sentido estrito — incide na operação, é evitável mudando o instrumento, e cada aumento desloca dinheiro. Ainda assim, o Tesouro registra que ele contribuiu com 0,10 ponto do PIB para a alta da carga em 2025. O efeito aritmético venceu o econômico mesmo no tributo mais fácil de driblar, o que é mais uma evidência de que o Brasil, no agregado, está à esquerda do pico.
O que isso muda nas suas decisões — e o que não muda
A tentação, depois de tudo isso, é tirar uma regra de bolso: “governo vai taxar mais, então fuja para isento” ou “vai cortar imposto, então compre bolsa”. As duas são leituras do gráfico, e o gráfico não prevê nada. O que se pode fazer com o que foi medido é mais modesto e mais útil.
1 · Não construa carteira sobre uma isenção presumida permanente. LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas rendem o que rendem porque o Estado abre mão de uma receita — e o demonstrativo da Receita lista essa renúncia ao lado de outras 600 bilhões. Uma delas quase caiu em outubro de 2025. O que se compara não é “isento contra tributado”; é o líquido de hoje contra o líquido de amanhã com a regra alterada, e a diferença entre os dois tem que caber na sua margem.
2 · Leia o juro do Tesouro como preço do risco, não como presente. Um Tesouro IPCA+ pagando juro real alto está pagando pela dívida de 82,51% do PIB e pelo prêmio de 245 pontos que o Brasil aceitou em fevereiro. Isso é bom para quem compra e carrega até o vencimento, e é péssimo para quem precisa vender antes num dia em que o risco subiu de novo. Quanto rende o Tesouro Selic hoje mostra o líquido que a taxa esconde; o que este texto acrescenta é o porquê de a taxa ser essa.
3 · Em dividendos, o número que decide é R$ 50.000 por mês por empresa — e o ano-calendário. A retenção de 10% vale para lucros apurados a partir de 2026. Quem recebe abaixo do limiar de uma mesma empresa não é alcançado pela retenção; quem recebe acima, é, e o imposto mínimo anual entra acima de R$ 600 mil de renda total. Planejar em cima disso é legítimo; planejar em cima de “vão revogar” é aposta política, e o caso da MP 1.303 mostra que aposta política no Brasil paga dos dois lados.
4 · Se você é PJ, o Simples é o maior “corte de Laffer” do país — e por isso é o mais vigiado. R$ 134 bilhões de renúncia estimada em 2026, 21,91% do total. É o item que mais aparece em toda discussão de ajuste fiscal, e o que mais tem defensores no Congresso. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e a forma de conviver com isso é a que a peça sobre pró-labore e distribuição de lucros descreve: separar o que é remuneração do que é lucro antes que a regra o faça por você.
O que não muda é o método. A curva de Laffer é uma boa ferramenta para uma pergunta — “cobrar mais ainda arrecada mais?” — e uma péssima resposta quando usada sem medir. Quem a desenha e conclui que o Brasil está do lado errado deve ao leitor o número da arrecadação depois do corte. Quem a descarta como propaganda deve ao leitor a explicação de por que 37,4% dos brasileiros ocupados não pagam contribuição nenhuma. Os dois lados têm uma dívida com a evidência, e a única postura que não deve nada é a de quem vai olhar o dado antes de opinar. Morgan Housel escreveria que cada um lê a curva pela própria história com o imposto — e a casa já argumentou, em por que erramos com dinheiro, que essa história é uma amostra pequena demais do mundo para virar lei.
Fontes
Todos os números deste texto vieram de documento primário aberto na sessão de escrita. Consultados em 11 de setembro de 2026.
- Arthur B. Laffer, The Laffer Curve: Past, Present and Future (16/11/2007) — a história do guardanapo, as citações de Ibn Khaldun e Keynes, a distinção entre efeito aritmético e econômico, o exemplo de Kennedy (91% → 70%, 9 → 30 centavos) e a frase de que a curva não diz se um corte aumenta ou reduz a receita.
- Trabandt, M. e Uhlig, H., How Far Are We From The Slippery Slope? The Laffer Curve Revisited, NBER WP 15343; publicado no Journal of Monetary Economics, v. 58, n. 4 (2011) — EUA: +30% (trabalho) e +6% (capital) de receita possível; UE-14: +8% e +1%; autofinanciamento de 54% e 79% dos cortes na UE-14.
- FRED / OMB, Federal Receipts as Percent of Gross Domestic Product (FYFRGDA188S) — 18,7% (1981), 16,5% (1983), 17,6% (1989), 16,8% (1993), 19,8% (2000), 16,9% (2017), 16,1% (2018 e 2019).
- U.S. Treasury, Office of Tax Analysis, Revenue Effects of Major Tax Bills (WP-81, tabelas atualizadas) — ERTA 1981: −2,89% do PIB na média de quatro anos.
- Kansas Legislature, SB 30 (2017) — veto do governador e derrubada em 6/6/2017: 27×13 no Senado, 88×31 na Câmara. ⚠ As alíquotas de 6,45% e 4,6% e a queda de receita vêm de análise secundária (Center on Budget and Policy Priorities, citando o Legislative Research Department do estado); o registro legislativo confirma a reversão, não o número.
- Tesouro Nacional, Carga tributária bruta do Governo Geral atinge 32,40% do PIB em 2025 (10/04/2026) — 32,40% (2025), +0,18 p.p. sobre 2024; IRRF +0,23, IOF +0,10 e RGPS +0,12 ponto do PIB; bens e serviços de 13,87% para 13,78% do PIB, renda de 9,04% para 9,16%; metodologia do manual de estatísticas fiscais do FMI (2014).
- OCDE, Revenue Statistics in Latin America and the Caribbean 2026 — Brazil — 33,7% (2024) e 31,7% (2023); médias OCDE 34,1% e LAC 21,7%; bens e serviços 14,4% do PIB, renda e lucro 9,1%. Dinamarca 45,2% (o máximo da OCDE) pelo comunicado do Revenue Statistics 2025 (09/12/2025) da mesma OCDE.
- Receita Federal, Demonstrativo dos Gastos Tributários — PLOA 2026 (set/2025, v. 1.01) — R$ 612,84 bilhões, 4,43% do PIB, 20,20% da receita administrada; Simples 21,91%, agro 12,93%, isentos IRPF 10,31%, entidades 9,13%; desoneração da folha vigente até 31/12/2027. O valor de R$ 134 bilhões do Simples é 21,91% de R$ 612,84 bilhões, calculado por mim a partir dos dois números do documento.
- IPEA, Garcia, Sachsida e Ywata, Impacto da desoneração da folha de pagamentos sobre o emprego: novas evidências, TD 2357 (2018) — RAIS 2009–2015; “ausência de efeitos da política sobre o volume de empregos”.
- IBGE, PNAD Contínua Trimestral, 2º trimestre de 2026 (14/08/2026) — informalidade de 37,4% dos ocupados; 25,4% em Santa Catarina e 56,9% no Maranhão.
- Lei Complementar 214/2025 — alíquotas de referência por resolução do Senado (art. 18); CBS 0,9% e IBS 0,1% em 2026; trava de revisão se a soma estimada superar 26,5%.
- Lei 15.270/2025 (DOU de 27/11/2025, efeitos a partir de 1º/01/2026) — redução do IRPF até R$ 5.000 e até R$ 7.350; art. 6º-A da Lei 9.250/1995: 10% na fonte sobre dividendos acima de R$ 50.000/mês; art. 16-A: imposto mínimo de 0 a 10% entre R$ 600.000 e R$ 1.200.000 de renda anual; isenção dos lucros até 2025 aprovados até 31/12/2025 e pagos até 2028.
- Câmara dos Deputados, MP sobre tributação de investimentos é retirada de pauta e perde a validade (08/10/2025) — 251 a 193; 5% sobre LCI/LCA, 17,5% unificado; cerca de R$ 17 bilhões esperados em 2026; compensação pelo recuo do IOF.
- Banco Central, SGS série 13762 — Dívida bruta do governo geral (% do PIB) — 73,83% (dez/2023), 76,27% (dez/2024), 78,64% (dez/2025), 82,51% (jul/2026).
- República Federativa do Brasil, Free Writing Prospectus — 7.250% Global Bonds due 2056 (SEC, precificado em 09/02/2026) — US$ 1 bilhão; rendimento 7,300%; referência UST 4,750% 2055 a 4,850%; spread 245 pontos-base; Ba1 / BB / BB, todos estáveis.
- Ipeadata, EMBI+ Risco-Brasil (JP Morgan) — última observação em 30/07/2024, 228 pontos; sem atualização desde então.
- Investidor10, Dividendos batem recorde em 2025 (06/01/2026, levantamento Meu Dividendo) — R$ 355,8 bilhões em 2025 (+15,2% sobre R$ 308,8 bilhões); sem Petrobras e Vale, R$ 274,4 bilhões (+49% sobre R$ 183,7 bilhões). Usado como contexto de mercado; não é a fonte de nenhum número decisório deste texto.
⚠ O que este texto NÃO afirma: que alguém mediu o pico da curva de Laffer para o Brasil — não encontrei estudo com esse resultado na consulta de 11/09/2026, e a conclusão de que o país está à esquerda do pico no agregado é inferência a partir da comparação internacional e da resposta da arrecadação aos aumentos de 2025, não medição direta. Também não afirma um valor atual de CDS do Brasil: os provedores que o publicam são agregadores, e preferi o spread da emissão soberana, que o próprio Tesouro assinou.
Perguntas frequentes
A Curva de Laffer é de direita?
Não. A ideia de que alíquota alta demais reduz a arrecadação foi escrita por Ibn Khaldun no século XIV e por Keynes no século XX, e Laffer os cita. O que tem cor política é o uso: assumir sem medir que a economia já está na faixa proibitiva. Essa suposição, não a curva, é o que a evidência dos Estados Unidos e do Kansas reprovou.
O Brasil está do lado errado da curva?
No agregado, não há evidência disso: a carga de 32,40% do PIB pelo Tesouro, ou 33,7% pela OCDE, fica abaixo da média da OCDE, e os aumentos de 2025 elevaram a receita. Em tributos específicos, com alíquota alta sobre base estreita — o IVA de quem não tem exceção, a folha formal —, a pergunta continua aberta e ninguém a mediu para o Brasil.
Cortar imposto nunca se paga?
Quase nunca por inteiro. O estudo de Trabandt e Uhlig encontrou autofinanciamento parcial — 54% de um corte sobre o trabalho e 79% de um corte sobre o capital na Europa —, o que significa que uma parte volta e o resto vira déficit. Quanto mais alta a alíquota de partida, maior a parte que volta; de 91% para 70% o efeito é grande, de 6% para 4% quase não existe.
O que a curva tem a ver com o meu Tesouro Direto?
Quando o corte de imposto não se paga, a dívida cresce — de 73,83% para 82,51% do PIB entre dezembro de 2023 e julho de 2026 — e o credor cobra prêmio: 245 pontos-base sobre o Tesouro americano na emissão de fevereiro de 2026. Esse prêmio é a razão de o Tesouro IPCA+ e o Prefixado renderem o que rendem. Você recebe o juro do risco que a política fiscal cria.
A isenção de LCI e LCA vai acabar?
Ninguém pode afirmar quando. A MP 1.303/2025 propôs 5% sobre emissões novas e caiu na Câmara por 251 votos a 193 em outubro de 2025, sem chegar a valer. A isenção é um gasto tributário como os outros do demonstrativo da Receita e volta a ser testada em cada ano fiscal apertado; compare o líquido de hoje com o líquido de uma regra alterada antes de concentrar.
Antecipar dividendos em 2025 foi a curva de Laffer funcionando?
Foi o efeito econômico que ela descreve, na direção contrária: a alíquota subiu e o comportamento mudou. A própria Lei 15.270 previu isso ao isentar lucros até 2025 aprovados até 31/12/2025, mesmo pagos em 2026 a 2028. Dividendo antecipado não é renda nova — é o mesmo lucro mudando de data para escapar de 10% na fonte.
Veredito
A Curva de Laffer é verdadeira e é quase inútil do jeito que costuma ser usada. Verdadeira porque existe uma alíquota acima da qual cobrar mais arrecada menos — isso é Ibn Khaldun, Keynes e aritmética. Quase inútil porque a curva não diz onde fica esse ponto, e quem a desenha raramente mede. Onde alguém mediu, o resultado foi o mesmo: cortes se pagam em parte, nunca por inteiro; aumentos em economias à esquerda do pico elevam a receita, como fez o Brasil em 2025. O que fica para quem investe não é uma previsão de imposto, é uma cadeia: corte que não se paga vira dívida, dívida vira prêmio de risco, e prêmio de risco é o juro que você recebe — e o desconto que o mercado aplica a tudo o mais que você tem. A pergunta útil diante de qualquer promessa fiscal, de qualquer lado, é uma só: quem vai pagar a diferença, e em que ano o dado vai mostrar se pagou.